E para aquelas que não foram fotografadas mas sentem seu grito representado,
E para aqueles que se reconhecem acima se tudo,
seres humanos [?]
De início, vamos fazer uma viagem no tempo até a Grécia Antiga, uma das sociedades passadistas em que o homem mais desenvolveu diversas áreas do conhecimento, técnicas mais aprimoradas de sobrevivência, enfim, foi um ápice de descobertas. A área da política era muito bem vista, e quem tivesse o discurso mais bem falado na ágora, teria prestígio na vida social. Pra se ter uma ideia, a ágora era uma praça em que todos os moradores gregos conversavam sobre os assuntos considerados mais importantes da época: Política e Filosofia. Aí é que está o ponto em que quero chegar, em nenhum momento estudei sobre mulheres filósofas muito menos políticas, dessa época. Não existe "pré-socráticas", muito menos pós. Pitágoras, Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles. Todos homens. As mulheres, juntamente com escravos e estrangeiros, eram proibidas de votar. Ué, uma grega proibida de votar na própria terra de origem? Pois é, isso comprova o fato de que o ser humano ter nascido com uma vagina, já era condicionado a não ter acesso a conhecimento ou oportunidades, pois era considerado um ser inferior. Certo, vamos pra Idade Média agora, época em que a Igreja mandava e desmandava nos pensamentos e costumes humanos, além dos seus feudos. A partir daí, a mulher passa a ser vista como algo idealizado, no sentido de santa, para ser bem vista socialmente deve se comportar como um ser intocável, ingênuo e ter como objetivo de vida cuidar do marido e da casa. Veja, esse objetivo era imposto, portanto a mulher não tinha a liberdade de escolher seu futuro, era tratada como mercadoria, já que a família escolhia o seu marido avaliando como critério principal a quantidade de feudos que sua família possuía, e faziam acordos com corpos, com uma simplicidade incrível. Ah, mas ambos os gêneros eram obrigados então, não era especificamente a mulher que devia seguir os padrões. Só que não. No quesito sexo, a mulher não podia demonstrar prazer algum, já que o pensamento religioso da época dizia que isso era pecado, e que se demonstrasse era vista como algo promíscuo -uma bruxa pronta para ser jogada na fogueira, um animal pronto pro abate- e não como uma condição biológica de qualquer ser humano. Além do que, o homem, na maioria dos casos, podia trair sua esposa com quantas outras ele quisesse, e não seria mal visto socialmente, ou poderia bater nela quantas vezes quisesse, e não seria mal visto socialmente, ou poderia obrigá-la a fazer sexo quantas vezes e na hora que ele quisesse, que não seria mal visto socialmente. Concluindo, o sexo feminino não tinha liberdade sexual, social e muito menos de expressão. Sem falar na Idade Moderna, em que a mulher negra, além de ser tratada também como uma mercadoria, era submetida a castigos físicos e abusos psicológicos. Então a partir daí, a mulher passa a ser julgada por dois fatores principais: nascer com uma vagina e ser negra. Elas só tinham um direito: a de ficar calada e aceitar tudo que lhe era imposto. E esse direito se repete até a sociedade atual. Sim! Ainda existem bilhares de mulheres que reproduzem, muitas vezes inconscientemente, uma única realidade de vida que lhes é apresentada: a de se casar, ter filhos e se dedicar à casa e ao marido, visto como a figura "chefe", deve ser o único que trabalha e contribui financeiramente com a casa. Isso também é um peso que enraizou na cultura brasileira por influência da religião principalmente, e que joga em uma só pessoa -no homem- uma bagagem grande de expectativas que devem se tornar realidade em um curto espaço de tempo: ter o emprego, a família e o carro dos sonhos, além de não poder demonstrar fraquezas ou sensibilidades emocionais. Caso contrário é rotulado de alguém que falhou e não tem conserto, uma mancha para o brazão da família em que foi criado. A questão de carga de trabalho, tanto o doméstico quanto o externo à casa, deveria ser dividida para ambos os sexos, por questao de equilíbrio e não sobrecarregamento, o que contribui para saúde mental de ambos envolvidos. Portanto, o que é a liberdade para a mulher, que deveria ter o mesmo significado do que é para homem, que na verdade deveria servir pra todo ser humano existente como passageiro nessa terra? É ter ampla visão do leque de opções que ela pode escolher viver, desde dona de casa até qualquer outra profissão. Que possa competir com o homem, ambos a partir de um mesmo patamar, e tornar em extinção casos em que ela recebe menor salário ou tem a chance diminuída de ter o currículo escolhido, devido a justificativas como o fato de ela menstruar ou engravidar- porque desse modo sua eficiência no trabalho é diminuída, certo? Errado!! Não se deve colocar como categoria para seleção de emprego condições biológicas, sem olhar para a experiência profissional da pessoa. Isso é só um exemplo de milhões de outros, de como a seletividade por sexo é um pré-requisito para trabalho. São diversas as mulheres que têm se encontrado, que reconhecem a sua liberdade, que percebem que o que mais desejam é visto como algo tão absurdo: viver sem se sentir ameaçada pelo simples fato de ter nascido com uma vagina, que não passa de um órgão, e que nunca deve ser um fator condicionante de algo, seja ter que usar sempre rosa, e passar a infância brincando de bonecas e panelinhas, e a adolescência e a vida adulta vivendo sob as custas sexuais e psicológicas impostas pela sociedade como um todo. É como se tivesse uma faixa nos olhos de homens e mulheres que acabam reproduzindo a parte opressora da cultura antiga, medieval e moderna, e tornam "normais" certos costumes que objetificam a mulher, as banalizam. Não estou falando em excluir opções, quero ampliar realidades. A tão almejada Liberdade procurada pela mulher não limita, ela procura fazer com que a sociedade e a mulher em si, reconheça-a como algo recitado pelas sábias palavras da cantora Nina Simone "Liberdade, para mim, é não ter medo".