Existem momentos que perder o foco de algo que você estava extremamente concentrada e acostumada é uma necessidade disfarçada de mal. É desse desvio do controle enrijecido sobre algo que você subentende ter completo domínio, que surge uma brecha pra repensar o porque você tá se fazendo presente ali. Se apegar a esse ponto pode significar um piso para o corpo de alguém que tem caído em abismos, tal qual Alice. Pode significar um motivo, em meio a total escassez de esperança. Pode ser um criador de estabilidades. No entanto, o ato mais instável de cair em desatenção é necessário, pra lembrar da sua falta de controle sobre tudo. É um paradigma de emoções ter que lidar com essa lembrança: eu não tenho controle sobre nada. Até o controle das minhas ações é um papel a ser interpretado cotidianamente, porque se ele fosse real, as consequências sempre atenderiam às intenções das minhas ações. Possuem prazos de validade as raras situações em que expectativas são atendidas, e cabe a nós saber lidar com a essa quebra. Porque uma certeza é de que ela virá. Um amortecedor de quedas é o cair em desatenção. Por mais que te cause dor e um certo ar de desapontamento consigo mesmo por ter parado de sustentar sua atenção no ponto, no fim, resta apenas aceitar a avalanche de mudanças que por um longo tempo você decidiu se abster. Doses elevadas de autoproteção podem virar um autoataque. Se abster de algumas realidades é necessário, mas pode virar facilmente um estado de negação. Apenas a partir da aceitação da falta de controle que o contorcionismo passa a ser uma acrobacia. E num band-aid com estampa infantil para as feridas abertas e profundas causadas pela quebra de expectativa, o nome "controle" passa a ser substituído por "responsabilidade". Porque é algo mais orgânico, mais palpável, "tu ter tornas eternamente responsável pelo que cativas". A intenção da ação de se responsabilizar está na necessidade de uma via de mão dupla, e só. Fala de um compromisso imprescendível com o tempo agora e tudo que ocupa o espaço presente: você, o outro e o abismo da infinidade de coisas nomináveis e inomináveis. E isso devia ser o bastante. Ao contrário do eterno, que nunca será o bastante pois não existe.
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
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