quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

 A resposta talvez não tá em não sentir, mas sim em tentar fazer algo em relação a isso. Tá na tentativa.

Um pedestal de origami: se soprar, cai

Eu entendo -realmente entendo- o ato de se colocar num pedestal. Ele é compacto o suficiente para carregar e ao mesmo tempo não limitar o tamanho da sua liberdade, afinal não tem grades. Essa liberdade egoica de não fazer o que as pessoas esperam e o prazer de desapontá-las. O outro é só o outro, e o que o pedestal carrega é evitar a todo custo se envolver porque demonstrar qualquer tipo de vulnerabilidade emocional significaria se sujeitar a possibilidade de se magoar. Apesar de que reconhecer a própria existência, dói. Se fantasiar com a ideia de que a liberdade tem o tamanho de um ego inflado é anestesiante, quando na verdade esse é o local que mais a limita. "Sua liberdade termina quando a do outro começa". Mas é tão difícil assim de acreditar que os limites da liberdade podem ser, ao invés de divisórias, portas?

domingo, 8 de janeiro de 2023

 me sinto desesperançosa. diminuí tanto as expectativas que já não sei discernir o que desejo, o que não quero e como mostrar isso pra quem amo. me sinto só e desaprendi a compartilhar. antes eu sabia falar a língua de estrangeiros em terras desconhecidas. agora não sei nem mais falar a minha língua.

domingo, 1 de janeiro de 2023

O último dia do ano

Se você parar um minuto pra observar e escutar com atenção, está lá. Você pode achar que não, porque não há vestígios de afirmações. Pode parecer só mais um dia qualquer de voto de silêncio. Mas não é qualquer silêncio, é o do tipo que ensurdece os ouvidos. Talvez não há timbre de voz corajoso o suficiente para admitir o que está lá. Talvez as cordas vocais estejam desgastadas demais pelas vezes em que foram usadas a troco de incompreensões. Comunicação falha. O peso do acúmulo de sentimentos não ditos é a decoração perfeita de um encontro marcado no último dia do ano com qualquer outro compromisso que não seja a autoconfrontação. Se dar o trabalho de passar horas dedicando-se a algo não tem urgência alguma, é uma preferência que tem um porquê tristemente escancarado. Doar-se a algo que poderia ser resolvido em minutos de qualquer outro dia: a falsa justificativa perfeita de uma ausência. Uma justificativa infundada mas óbvia. Inventada mas confortante. Não sei se há uma negação ou aceitação de uma realidade, paralelo a jogar a toalha durante uma luta dolorosa. Há uma beleza triste no auto-engano. A falsa sensação de comodismo é uma tentativa quase ingênua de se proteger. Mas a sobrevivência exige um jogo camaleônico, de ataques, defesas e contenções, enquanto se enganar é estar se comprometer a domesticar mais uma cabeça de Hidra mental.

A arte da guerra silenciosa Mover-se em prol de interesses, é natural. Considerar tempo, custo e benefício antes de tomar decisões, é insupo...