Ritualizar o luto, pra achar a graça da vida.
terça-feira, 14 de novembro de 2023
domingo, 22 de outubro de 2023
Receita pra manter um bolo de amor
Existe uma receita pra fazer continuar crescer um bolo de amor bonito. É daquelas receitas que estão escondidas em folhas desgastadas e emboloradas pelo tempo. Antiga porém preciosa. Não esquecer sob nenhuma hipótese que os pares de mãos nem sempre vão estar em conjunto, precisando alternar-se entre si vez ou outra. Precisa saber quando dar mais água pra ele nos dias mais secos. Precisa saber enxergar as feridas que ainda não estão completamente cicatrizadas. Lambê-las e beijá-las com álcool, devagar. Precisa saber dar ouvidos nos dias mais gritantes. Precisa dar voz ao amor, que pode se vestir de palavras e ações. Precisa de doses equilibradas de disciplina, paciência e respeito ao tempo do amor, principalmente quando ele for escondido.
Para uma corda que está quase se arrebentando, apenas microcentímetros de pequenas costuras diárias fazem aquela frágil estrutura não rasgar. E alguns rompimentos são necessários até saber a forma e a pressão exata de fazer o ponto de costura: nem muita folgado e nem muito apertado, na medida certa praquele amontoado de subjetividades que de longe parecem confusas, mas de perto fazem completo sentido.
terça-feira, 20 de junho de 2023
enquanto a vida me acontece
o lembrete da finitude insiste
em susurrar sorrateiramente
como um fantasma baderneiro
nos meus ouvidos
se prepara pra o que vai acabar
mas de repente já não consigo compreender
as palavras ficam sem tradução
e num susto
lembro de novo do que esqueci
a vida me acontece
domingo, 4 de junho de 2023
Dentro de colchões d'água existem espinhos finíssimos
Movem-se com as estações dos anos, às vezes amontoados em arestas, às vezes bem distribuídos
Talvez nenhum processo seja isento de sofrimento
Guardar os motivos numa caixa de música pra que suas lágrimas não dancem em ouvidos e bocas errantes por acreditarem na mentira que criam de si mesmos
O ego é faca cega, meus espinhos não.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
alguma coisa parecida com uma oração
já não me cabem mais
que eu não me atente ao que só me trás falta
ao que nunca vem e nem vai, não quero
de mediano ou incerto já basta uma parte de mim
que eu me atente a querer estar com o que me trás presença
que haja entrega e despedida ao momento
que eu saiba me demorar no agora sem me perder no outro
que a hora da minha decepção demore
e que não aconteça por tudo
porque nem tudo merece minha atenção
que eu entenda que a tentativa é uma via de mão dupla
e que eu consiga encontrar a força e a confiança em algum lugar
que um dia escondi de mim mesma
💟
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
Em nome do meu amor por mim
Em nome do amor fica fácil fechar os olhos e ouvidos para o que está sendo feito ou dito. Em nome do amor, o peso das tentativas fica mais leve. Até o momento que você percebe que está cambaleando. Sozinha. São escolhas em nome do amor, ainda que o papel seja o de enganar a si mesma. Papéis solos são para os que estão dispostos a dar a cara a tapa mas nem sempre existirá essa disposição. Eu escolho entender a decisão do meu amor de não fazer mais questão nenhuma de mim. Eu escolho não dar a minha cara a tapa. Não porque ele não merece, porque ele merece sim todo o amor que existe nesse mundo. É só porque dói em mim desejar o que não posso ter. Não quero ter que aprender a conviver com mais uma dor, afinal eu não sou uma colecionadora de dores. Existem momentos que nos forçam a escolher quais feridas inevitáveis teremos disposição em remediar. Não dá pra deixá-las sangrando.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
Tentativa de não tapar o buraco com peneira
sábado, 11 de fevereiro de 2023
Quando as coisas começam a finalmente assumir um formato que caiba o tamanho do desespero de viver sem se sentir perdida dentro de si, resquícios impossíveis de serem retirados apenas com mudanças repentinas persistem em existir. Vão embora! Sim, não te esquecer é um erro que vive na forma de resquícios. É um teste. Tem que ser. Um teste que me assombra com questões que não possuem respostas simples. Até que ponto posso crer numa ilusão e o porquê disso? Porque não consigo persistir em acertos da mesma forma que persisto nos erros? Não me amo o suficiente para compreender a completa falta de retorno a algo que tentei me doar? Ou me amo tanto a ponto de imaginar uma reciprocidade com o lado mais bonito e sombrio de alguém que tentei compreender?
Sentir e supor roupas para silêncios é encantador e na mesma medida, horrendo. Quando menos você perceber vai estar enfeitando uma dor gritante, e com que direito?
Eu sinto muito ter me apaixonado e não ter sido corajosa o suficiente pra poder falar. E ainda assim, seria uma mentira dizer que não tentei.
A falta de palavras já não me enche mais o coração. Não posso me dar o infortúnio de desejar o que não mereço. E talvez os resquícios persistem em existir porque eu tenho que dar forma, nome e poesia ao que mereço.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
quarta-feira, 11 de janeiro de 2023
Um pedestal de origami: se soprar, cai
Eu entendo -realmente entendo- o ato de se colocar num pedestal. Ele é compacto o suficiente para carregar e ao mesmo tempo não limitar o tamanho da sua liberdade, afinal não tem grades. Essa liberdade egoica de não fazer o que as pessoas esperam e o prazer de desapontá-las. O outro é só o outro, e o que o pedestal carrega é evitar a todo custo se envolver porque demonstrar qualquer tipo de vulnerabilidade emocional significaria se sujeitar a possibilidade de se magoar. Apesar de que reconhecer a própria existência, dói. Se fantasiar com a ideia de que a liberdade tem o tamanho de um ego inflado é anestesiante, quando na verdade esse é o local que mais a limita. "Sua liberdade termina quando a do outro começa". Mas é tão difícil assim de acreditar que os limites da liberdade podem ser, ao invés de divisórias, portas?
domingo, 8 de janeiro de 2023
me sinto desesperançosa. diminuí tanto as expectativas que já não sei discernir o que desejo, o que não quero e como mostrar isso pra quem amo. me sinto só e desaprendi a compartilhar. antes eu sabia falar a língua de estrangeiros em terras desconhecidas. agora não sei nem mais falar a minha língua.
domingo, 1 de janeiro de 2023
O último dia do ano
A arte da guerra silenciosa Mover-se em prol de interesses, é natural. Considerar tempo, custo e benefício antes de tomar decisões, é insupo...
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Eu estava apaixonada por ele ou terá sido só um pequeno refúgio criado pela minha mente? Será que eu realmente sei o tamanho do abismo exist...
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Dançamos e pulamos nos teclados do piano tua alma em mim toca sonhos, toca mundos, toca saudades e suspiros, toca música, toca vida. d...
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Let's do more, and watch less. Photo tooked in some day of 2015.