sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

eu queria poder não sentir nada, essa sempre foi a minha prece cotidiana. esperava numa ânsia silenciosa ela se tornar realidade, como quem torce por algo bom demais pra se tornar realidade, e em segredo- porque falar alto com certeza daria a chance do outro estragar tudo com algum comentário idiota. sentir intensamente certas coisas e demonstrar o que sente, tem um preço a se pagar. administrar o desgaste emocional que se tem quando o outro não sabe ou não quer receber afeto, é como construir um barquinho pra se proteger de um maremoto. a tecnologia ainda não remedia o desastre que é dar sem receber de volta. reconhecer o que sinto e me expressar nunca foi um jogo, mas uma forma de me sentir viva. o problema é a falta de meio termo, o desequilíbrio, a necessidade de tudo ou nada.

todos nós sabemos das lutas que travamos e nem sequer escolhemos, mas além disso existem as derrotas que escolhemos permanecer. é diversa a quantidade de posições que podemos escolher estar para receber o golpe que é a quebra de expectativa: do peito aberto e sorriso fácil até uma frieza imbatível. o golpe vem e ao cair. ao invés de fugir, me esconder e me proteger, aguardo numa angústia dolorosa, o outro perceber que não quis fazer isso de verdade. que está confuso, perdeu a cabeça e que vai colocar ela no lugar. que as coisas vão se acertar mas isso nunca realmente acontece. o que esperar quando se está esperando o que nunca realmente veio? 

quantas vezes escolhi continuar na mesma posição do início, ainda que caída, ainda que dilacerada. uma estátua empurrada e quebrada. esperei que você recolhesse minhas peças e as colasse delicadamente, como já tinha feito sem nem perceber, várias vezes. mas você não veio.

em meio a um fio de lucidez, observo o reflexo do desastre no espelho. estava sozinha. afinal o outro de nada teve haver com as minhas expectativas que se comportam como facas cegas: eu as domestiquei errado. mania maluca de querer fazer mal a mim mesma. sempre cultivei com exemplares dedicação e disciplina um jardim de ilusões.

no entanto, percebo que está mais do que na hora de colocar fogo nesse jardim. tá mais do que na hora de fazer as pazes com a minha inimiga número um: eu mesma.

domingo, 4 de dezembro de 2022

cansativo é ter sua insuficiência lembrada 

a cada instante do dia

a cada palavra e ação 

não ser levada a sério nunca

é cansativo

a subestimação diária 

a incompreensão diária 

ter que provar algo que eu não devo

e nem quero

nada do que eu faço é o suficiente

enquanto eu estiver num terreno pedras

minhas sementes nunca vão florescer 

o reconhecimento da própria solidão e a conquista da independência 

fertilizam terrenos pedregulhosos


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

o que eu não quero

não quero viver pensando no fim das coisas

não quero viver por conquistas temporárias

datas de validade não me enchem a boca, os olhos e o coração

não quero viver esperando uma sorte furada

não quero viver com medo da morte

quero que começo, meio e fim se findem no agora

quero ser preenchida pelo agora

quero morrer e viver em agoras 





sexta-feira, 4 de novembro de 2022

eu sei que o amor existe, eu já senti ele

é que às vezes ele se esconde quando não tem um espaço digno pra o seu tamanho

ele é tão imenso 

que não cabe em frestas ou estantes improvisadas

o amor não aceita migalhas

ele é cintilante

e bonito demais pra ser ofuscado

e bonito demais pra habitar palavras que doem

generoso demais pra habitar terras inférteis

o amor pode até se mostrar num grito 

mas só de liberdade ou vazão de um sentimento 

que não implica em cortar o outro

o amor não é biscoito pra caber em fôrmas de estrela

feita por bocas e olhos que sequer estiveram na sua presença

o amor é bonito, tem força pra sustentar tempo longo e ilusões quebradas

o amor pode cicatrizar feridas

não tá no peso das costas de outréns

às custas de outréns

amor não é nem peso nem gasto

amor é troca

mas na forma de carinho

é esperança

é companhia 

é brincadeira

é paciência

é diálogo

é tentativa

é coragem que vem depois do medo 

é afago pra quando as dores da vida sufocarem

amor é tudo, menos intenção de causar dor

eu sei que o amor existe, e vou tentar ao máximo me encontrar com ele

dentro de mim

todas as vezes que eu morrer

porque me encontrar com o amor dentro de mim 

é a única garantia que tenho

que vai me sustentar nos dias que eu não tiver forças pra levantar, vontade de viver e sonhar

ele é meu único par



segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Os anos-luz dentro de um minuto do cair em desatenção

Existem momentos que perder o foco de algo que você estava extremamente concentrada e acostumada é uma necessidade disfarçada de mal. É desse desvio do controle enrijecido sobre algo que você subentende ter completo domínio, que surge uma brecha pra repensar o porque você tá se fazendo presente ali. Se apegar a esse ponto pode significar um piso para o corpo de alguém que tem caído em abismos, tal qual Alice. Pode significar um motivo, em meio a total escassez de esperança. Pode ser um criador de estabilidades. No entanto, o ato mais instável de cair em desatenção é necessário, pra lembrar da sua falta de controle sobre tudo. É um paradigma de emoções ter que lidar com essa lembrança: eu não tenho controle sobre nada. Até o controle das minhas ações é um papel a ser interpretado cotidianamente, porque se ele fosse real, as consequências sempre atenderiam às intenções das minhas ações. Possuem prazos de validade as raras situações em que expectativas são atendidas, e cabe a nós saber lidar com a essa quebra. Porque uma certeza é de que ela virá. Um amortecedor de quedas é o cair em desatenção. Por mais que te cause dor e um certo ar de desapontamento consigo mesmo por ter parado de sustentar sua atenção no ponto, no fim, resta apenas aceitar a avalanche de mudanças que por um longo tempo você decidiu se abster. Doses elevadas de autoproteção podem virar um autoataque. Se abster de algumas realidades é necessário, mas pode virar facilmente um estado de negação. Apenas a partir da aceitação da falta de controle que o contorcionismo passa a ser uma acrobacia. E num band-aid com estampa infantil para as feridas abertas e profundas causadas pela quebra de expectativa, o nome "controle" passa a ser substituído por "responsabilidade". Porque é algo mais orgânico, mais palpável, "tu ter tornas eternamente responsável pelo que cativas". A intenção da ação de se responsabilizar está na necessidade de uma via de mão dupla, e só. Fala de um compromisso imprescendível com o tempo agora e tudo que ocupa o espaço presente: você, o outro e o abismo da infinidade de coisas nomináveis e inomináveis. E isso devia ser o bastante. Ao contrário do eterno, que nunca será o bastante pois não existe.


Fonte: 11.990904.


terça-feira, 7 de junho de 2022

amor platônico é pior que término: um poema sobre algo que nunca aconteceu de verdade

minha atenção ao imprevisível estava sendo sustentada 

pela pífia possibilidade de não me afogar no presente 

embora a insuficiência fizesse um nó nos meus olhos 

e a indiferença observasse de longe a cena

 como se estivesse aguardando o momento certo para substituir o carrasco do turno

mas num descuido aleatório 

a mando do acaso 

abriu-se uma brecha 

e nesse meu sem querer olhar desviei a atenção da dor 

e enxerguei beleza nas tuas pausas antes de falar o que pensa 

e em como você sustentava levemente o olhar em meio ao ordinário do cotidiano 

e de repente minhas pífias tentativas de desatar as amarras se esvaíram 

e os nós se desfizeram 

e meus passos foram guiados não pela voz de uma possibilidade 

mas pela certeza de que é possível viver sem ter medo de ser presa dentro de si mesma 

e nesse sem querer você me segurou um espelho 

e relembrei dos meus contornos 

e da vontade que eu tinha de viver

num mar de sentimentos eu me joguei 

e em sentenças de palavras ditas eu me enrolei 

pela sede de ultrapassar o teu fio de transparência 

inventei uma linha de chegada que ninguém mais tinha conseguido chegar 

e cambaleei pela falta de noção do pique esconde que eu brincava sozinha 

enquanto algumas palavras não foram ditas outras eram atiradas que nem pedras jogadas num mar qualquer escondi minha vontade de te dar a mão 

mesmo que você não quisesse 

mesmo que você não precisasse 

e dos nós que eu fiz sozinha pra tentar te alcançar 

uma cama de gato se fez 

pra que a gente pudesse ficar brincando de se amar 

de rir das convenções 

de perceber os passos das vindas e idas do choro que pedia o afago de um colo ou abraço 

de fazer um sombreiro pra nos proteger dos dias que nasciam sols quadrados 

e de fazer amizade com os leões de cada dia 

a cama de gato crescia 

passou a ter uma janela 

depois uma porta 

e depois um sofá 

a cama de gato se transformou numa casinha pra gente se amar 

e brincar de não se aturar mais 

e a gente combinou de trocar espelhos e quebrá-los pra depois construir tudo de novo 

o tempo foi passando e dentre uma ida e volta nos quartos eu vi sem querer uma agulha com meu nome 

notei o papel que eu mesma me dei naquela cena do novelo da costura da cama de gato 

o papel solo do Sol que fez a orquestra de acordes se demitir 

o quebra cabeça do amor platônico passou de peças espalhadas e confusas 

para uma imagem inconfundível de um alguém que viveu e morreu de amor 

por dois



playlist pra ouvir

começo de um sonho








meio de um sonho






deu tudo errado













sábado, 16 de abril de 2022

A matemática dos fantasmas

     Matematicamente falando as possibilidades de uma escolha são infinitas, assim como suas consequências. Escolhas e suas consequências se comportam como uma cadeia contínua. A vida gira em torno de escolhas, é o que dizem. E quanto mais tenho procurado tentar entender minhas escolhas e os efeitos dessas, dos desprezíveis aos mais perceptíveis, mais tenho compreendido que o risco de receber algum tipo de dano sempre existe. A questão é se eu tenho ferramentas (físicas ou psicológicas) para entender qual será o tipo de dano antes mesmo de eu fazer aquela escolha, porque alguns danos simplesmente não valem a pena. Sem falar nos casos em que você já experienciou os efeitos da escolha, já sabe o que vai acontecer, e mesmo ciente dos danos, repete a escolha. Talvez você repita porque acredita que esse efeito vai mudar. Mas é sempre o endereço que muda. Na 234º repetição da escolha o efeito não tem mostrado qualquer resquício de mudança, e é aí que você passa a alimentar um fantasma e programar o próprio susto. E toda vez que ele aparece, você se assusta como se fosse a primeira vez que o estivesse encarando.



    Alguns danos são silenciosos demais e demoram pra dar as caras. Demora pra enxergar o rosto dele. Acho que o problema não está no risco de surgirem danos, alguns são inevitáveis e muitas vezes é impossível controlar a intensidade do efeito. Acho impossível chegar a um "estágio" na vida que se centre apenas no prazer, sendo nós, seres humanos vivendo em constante contato com outras pessoas completamente diferentes. Longe de serem quebra-cabeças, e sim uma grande tralha de subjetividades desorganizadas e acumuladas, prontas pra serem usadas da pior forma possível: como armas apontadas aos outros. A dor existe e é inevitável. No entanto, não cabe aqui (e nem em mim) o significado cristão de transformar a dor numa forma de se alcançar um aprendizado, como se o propósito fosse único, digno e abençoado pelos céus. Algumas dores são descabíveis, danos historicamente repetidos pelas mesmas mãos que nunca ficam sujas de sangue nos holofotes. Mas aqui nesse texto não estou falando desse tipo de dor. 

    Paguei na faculdade uma disciplina chamada "Biossegurança", e numa das aulas foi discutido sobre como profissionais que trabalham em laboratórios estão a todo momento expostos a diversos tipos de riscos: biológicos, químicos e físicos. O risco é inerente a escolha, o benefício, não. Em alguns casos depende, o risco e o benefício podem ganhar formato com o tempo. Toda escolha implica num efeito que vai te expor a um risco e esse risco pode gerar um dano. Acho que a atenção tem que se voltar para qual tipo de dano a escolha vai gerar, porque algumas escolhas custam mais danos que os benefícios. Por um lado, uma escolha pode se alinhar de forma orgânica às sua expectativas, por outro lado há o risco da existência de danos que podem te levar a uma prisão. Por exemplo, numa situação de escolher lados, após analisar detalhadamente cada motivo do que o fez assumir certo posicionamento, ao mesmo tempo que isso pode contribuir para uma postura mais segura, também pode te deixar refém de situações totalmente opostas a isto. No filme A Pequena Sereia, a princesa Ariel troca a voz por pernas e embora seja um desenho do fim da década de 80, esse ato abre discussão para temas como reprodução de ideais romantizadores tóxicos. Mas aqui quero apenas destacar a escolha da Ariel e suas motivações: ficar sem voz iria lhe fazer ganhar pernas e perder a cauda para viver ao lado do príncipe Eric. Os danos dessa escolha estão nítidos: anular características da sua identidade para se adaptar ao outro. Mas sim, relacionamentos (e a vida num geral) também são feitos de concessões, mas algumas coisas são inegociáveis e ninguém conversou sobre isso com a Ariel. 




    Limites precisam ser desenhados, para que as escolhas não gerem danos que são difíceis de se reverter. Limites são redutores de danos. Que as concessões existam, mas que nunca encorajem comportamentos autosabotadores ou autoanuladores, naquele que o faz. As brincadeiras de infância que envolviam desenhar uma linha no chão para separar espaços por conta de grupos ou posições diferentes, tinham um ponto. Sem limites, a brincadeira não acontecia.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Peixes, coráis e água: um papel de parede universal e um estilo de vida desejado

    Eles estão em descansos de tela de computadores, papéis de paredes de pequenas lanchonetes e cadernos, salas de espera de consultórios, no fundo de joguinhos de argolas de plástico (descobri que se chamam aquaplay). 



    E por incrível que pareça, em fundos de aquários artificiais, como se fosse uma desejável companhia para os peixes vivos que ali habitam. A convivência habitual em cardumes varia de espécie para espécie, mas como será que esse papel de parede influencia no comportamento dos peixes? É de forma positiva, negativa ou sem efeito significativo? 

    Seria essa uma tentativa de agradar os peixes para diminuir o sentimento humano de culpa por os terem tirado a força de seus habitats naturais por um mero capricho humano? Não sei, talvez seja apenas para dar uma ideia de maior volume para os visitantes se entreterem. Humanos gostam de se entreter. Principalmente com o sofrimento alheio.



O que há de tão fascinante no universo aquático que leva os humanos a os usarem como ícones fotográficos? A aparente falta de poluição? A saturação de cores que raramente vemos no meio terreno? A enorme diversidade de peixes? A individualidade dos peixes? Ou será o senso de coletividade dos cardumes, que apesar de nadarem separados estão em bando, e ainda assim são livres para escolher diferentes direções sem ser impedido por outros peixes? 


A ausência total de barulho ou sinal humano.














a gente cresce e aprende a engolir seco espinhos. novas formas de socos e pontadas no estômago que acontecem na ausência de mãos e pés. são palavras as responsáveis pelas feridas. palavras que ao invés de entrarem por um ouvido e sair pelo outro, se acomodam em locais que não tem placas de boas-vindas, em tetos de vidro do coração. palavras que são estraga prazeres, espinhos, espingardas com balas e alvos infinitos. a regeneração é uma benção e uma maldição. palavras que entram como lixo em sacos que estão furados. me sinto só. a gente cresce e tem que aprender a ficar bem só na nossa companhia. aprender a ficar bem depois de ficar mal, não pode ficar mal o tempo todo porque aí tem outro nome: depressão. e quando é apenas solidão? solidão é constante. todos nós estamos sós, ainda que dependemos uns dos outros. estamos sós quando não conseguimos ser compreendidos num instante, e fingir que não estamos sós, isso sim é estado de negação da realidade. me pediram pra ser realista, estou sendo. estamos sós e não devíamos criar expectativas de que amor envolve um estado completo de compreensão. amor também é solidão. mas o que eu faço com toda essa dor? eu sinto, e depois fico bem, pra depois tudo reiniciar? talvez eu não queira resistir a dor, depois de senti-la, talvez eu queira ser sucumbida até desaparecer, pela dor. talvez eu só queira não sentir nada. seria mais útil utilizar meu tempo em prol de algo maior que eu, maior que minhas dores e alegrias. com certeza seria mais útil. 


proponho um fim aos ciclos de sentimentos, quero ficar vazia, quero morrer e não ressuscitar, não quero morrer de amor e nem de tristeza, quero morrer de velhice. quero sumir quando sinto vontade. quero ibernar de olhos abertos, o estado de transe do cotidiano já não me afeiçoa. congelar o tempo é possível quando você tira fotos pelo celular e não esquece de salvar. quero conquistar coisas, sem ter que fazer cerimônias. compromissos me assustam, mas sei ser responsável quando a situação pede. quero ser leviana com minhas sombras, e ser sólida com minhas qualidades. quero manter minha atenção em mim e no agora, e somente. não quero ter que dividir minha atenção em várias coisas ao mesmo tempo, é cansativo, e a superficialidade já  não me afeiçoa. quero ser superficial sentimentalmente, quero que o outro não tenha poder sobre mim. quero dominar coisas, e não pessoas. situações que podem se desmanchar a todo momento, que nem laço de cadarços de sapatos. quero aceitar a natureza de desamarro das coisas. uma hora tá ali, na outra não tá mais. não quero ter a tendência absurda de manter meus olhos e mente numa tristeza. quando me afundo nela, uma hora vejo o buraco sem fundo, e volto pra superfície. não quero estar nessa situação, para ser sincera. a superfície é tranquila, as margens são meu mantra. não quero me atirar no olho de tempestades internas.

por isso repito, quero ser superficial sentimentalmente. 

o que fazer quando a existência é uma prisão?

não sei pra onde vou, não estou satisfeita onde estou, faço planos que nunca se realizam. a rotina de jogar rascunhos no lixo vai me levar a lugar nenhum. me auto proclamo um fracasso, para que não seja um fim que vou atingir, nem de onde parti. me autoproclamo, e já tiro o peso de que vou ser um fracasso, se já sou não tem como ser duas vezes o mesmo fracasso. posso continuar a ser o fracasso mas com a possibilidade de não ser o mesmo fracasso. posso cometer novos erros e acertos. me sinto mais leve já.

 faço planos porque me disseram que o correto é fazer planos. acordar cedo, se organizar com antecedência, limpar a mesa e colocar uma roupa bonita, lavar os pratos e ser grata. e sempre tem o "não esqueça de respirar", embora ninguém realmente esqueça de respirar. trabalhar e esperar. eles sempre dizem essas coisas como se fossem pegadas até um tesouro que não existe. o pote de ouro no fim do arco-íris é um pote vazio, e o doende que cuidava desse pote morreu atropelado certa vez em que repetia o caminho de ida ao seu trabalho. o ofício era simples: ficar de prontidão ao lado do pote vazio. não importava se o pote estava cheio ou não, ninguém conseguia chegar no pote, eram muitos desafios pra se chegar no pote, muita gente morria no caminho, ou por conta de descrença ou por medo do doende. imagens tem poder, sustentá-las é uma forma de controlar. uma ilusão pode ter tanto poder sobre seu destino quanto um tiro. mas o doende morreu, e o pote caiu com um ventania que deu. poucas pessoas chegam até o outro lado do arco-íris, e as que chegam morrem após quebra de expectativa. no final, todos percorrem um propósito que outros disseram que era um propósito, e morrem insatisfeitos. é sempre assim. 

A arte da guerra silenciosa Mover-se em prol de interesses, é natural. Considerar tempo, custo e benefício antes de tomar decisões, é insupo...