terça-feira, 7 de junho de 2022

amor platônico é pior que término: um poema sobre algo que nunca aconteceu de verdade

minha atenção ao imprevisível estava sendo sustentada 

pela pífia possibilidade de não me afogar no presente 

embora a insuficiência fizesse um nó nos meus olhos 

e a indiferença observasse de longe a cena

 como se estivesse aguardando o momento certo para substituir o carrasco do turno

mas num descuido aleatório 

a mando do acaso 

abriu-se uma brecha 

e nesse meu sem querer olhar desviei a atenção da dor 

e enxerguei beleza nas tuas pausas antes de falar o que pensa 

e em como você sustentava levemente o olhar em meio ao ordinário do cotidiano 

e de repente minhas pífias tentativas de desatar as amarras se esvaíram 

e os nós se desfizeram 

e meus passos foram guiados não pela voz de uma possibilidade 

mas pela certeza de que é possível viver sem ter medo de ser presa dentro de si mesma 

e nesse sem querer você me segurou um espelho 

e relembrei dos meus contornos 

e da vontade que eu tinha de viver

num mar de sentimentos eu me joguei 

e em sentenças de palavras ditas eu me enrolei 

pela sede de ultrapassar o teu fio de transparência 

inventei uma linha de chegada que ninguém mais tinha conseguido chegar 

e cambaleei pela falta de noção do pique esconde que eu brincava sozinha 

enquanto algumas palavras não foram ditas outras eram atiradas que nem pedras jogadas num mar qualquer escondi minha vontade de te dar a mão 

mesmo que você não quisesse 

mesmo que você não precisasse 

e dos nós que eu fiz sozinha pra tentar te alcançar 

uma cama de gato se fez 

pra que a gente pudesse ficar brincando de se amar 

de rir das convenções 

de perceber os passos das vindas e idas do choro que pedia o afago de um colo ou abraço 

de fazer um sombreiro pra nos proteger dos dias que nasciam sols quadrados 

e de fazer amizade com os leões de cada dia 

a cama de gato crescia 

passou a ter uma janela 

depois uma porta 

e depois um sofá 

a cama de gato se transformou numa casinha pra gente se amar 

e brincar de não se aturar mais 

e a gente combinou de trocar espelhos e quebrá-los pra depois construir tudo de novo 

o tempo foi passando e dentre uma ida e volta nos quartos eu vi sem querer uma agulha com meu nome 

notei o papel que eu mesma me dei naquela cena do novelo da costura da cama de gato 

o papel solo do Sol que fez a orquestra de acordes se demitir 

o quebra cabeça do amor platônico passou de peças espalhadas e confusas 

para uma imagem inconfundível de um alguém que viveu e morreu de amor 

por dois



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