terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Tentativa de não tapar o buraco com peneira

É fácil acreditar na autossuficiência do amor porque ele é abundante e generoso. Inabalável. Ele é sim, tudo isso e mais um pouco. Mas ele nunca vai ser autossuficiente para fins egóicos. Nem por isso deve ser considerado um erro ou mentira. O problema é quando fazemos do amor uma bengala para sustentar nossas inseguranças. O problema é querer imprensá-lo num formato que não vai caber. Não adianta, ele é grande demais. Cortamos suas asas quando passamos a querer controlá-lo, querer que ele se ajuste aos nossos desejos, mesmo quando muitos já foram atendidos. Porque sempre vamos querer mais. Mais provas, mais demonstrações, mais sacrifícios. 

Graças a bola de cristal chamada algoritmo do instagram, assisti a dois vídeos curtos de dois episódios de duas séries que gosto muito,episódio  6 da 2° temporada de Fleabag e episódio 5 de The Midnight Gospel, entre a tarde e a noite de uma quarta-feira de cinzas. Um que termina afirmando que o amor parece esperança e o outro sobre o desapego da esperança. Cheguei na conclusão que amor é um paradigma cuja forma de sentir está em constante mudança. Existem várias formas de sentí-lo. 





Amor é dar e também receber mas esse receber nem sempre vai vir na forma que desejamos. Ele não existe para nos servir. Diferentes mundos, diferentes linguagens, diferentes atmosferas, diferentes espaços de tempo. Existem coisas que fogem ao nosso controle.

Amor não é controle, é desapego da expectativa que colocamos no outro e apego somente no agora. Não para evitar se machucar, mas para reduzir a dor das quedas e o tempo que leva pra levantar de novo. Não é sobre se entregar de menos e sim sem se perder de si. Mas e quando a gente se perde? Acontece, tá fora do nosso controle. É necessário escoar tudo o que essa falta de controle causa para lugares que nos relembrem quem somos, ainda que outras partes tenham sido mortas foram transformadas.


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